o que tem acontecido
A humanidade tem o trauma coletivo pandêmico que deve ter se engendrado no nosso imaginário coletivo e subconsciente de formas que ainda nem se manifestam inteiramente e levarão décadas e décadas pra se cristalizarem.
Em paralelo a mortes, colapso social, ter ficado trancada em casa sozinha por cinco meses com três gatas e ter conseguido não enlouquecer, tenho mais uma camada negativa pessoal. Talvez o menor problema de todos naquela época. O mais white girl problem possível. Ainda assim aconteceu e me marcou: o cancelamento do Lollapalooza Brasil 2020.
Sabe aquilo de qual é o seu império romano que a internet sempre fala? Um dos meus com certeza é esse. Volta pra me assombrar de vez em quando. Tem cheiro de álcool em gel Giovanna Baby e se espalha na minha mente que nem a tinta das etiquetas das compras, que derretia com o jato de álcool. É que esse lineup era um alinhamento perfeito de tudo que eu tava amando muito.

De Lana del Rey nem preciso falar muito. Assisti seus shows em todas as vezes que ela veio ao Brasil. Mas ali em 2019 eu comecei uma fase muito viciada em King Princess, com o lançamento de “Cheap Queen” (2019). E na pandemia, a obsessão era elevada a potências inimagináveis, então eu ouvia as músicas enquanto passeava pelo Google Maps nas ruas de NY. Ficava imaginando o que fazia Mikaela Straus, nome verdadeiro da rei princesa, escrever o que escreveu. Também pintei a cara dela num papel e coloquei perto da minha cama. Amo amar.
O maior de todo o império, o Julio César do meu lineup, era com certeza Kacey Musgraves. O “Golden Hour” (2018) é um dos álbuns da minha vida. Falei na internet sobre sua música e o que admiro nela, escrevi análises, pensei incontáveis vezes em tatuar duas de suas composições em mim mesma e desisti porque ela não merece uma lully vômito trash tattoo, merece algo bonito de verdade.
Só que eu tava meio cansada de Kacey. Os álbuns seguintes, “star-crossed” (2021” e “Deeper Well” (2024), não tinham o mesmo viço. Nossos encontros nos últimos anos eram retornos ao queridinho da luz bonita do fim de tarde e ao “Pageant Material” (2015), meu segundo favorito e o mais iiiiiiirrá da cantora. Imagine eu em Aracaju - Sergipe cantando sobre como tem-certas-coisas-que-você-deveria-saber-quando-você-é-uma-garota-que-cresceu-no-sul.
Mas agora Kacey Musgraves me presenteou. Saiu o “Middle Of Nowhere” (2026). Tem o mesmo viço, o mesmo brilho, porém é menos pop que o “Golden Hour” e com muito muito muito mais cheiro de terra, de mato, de bicho. Voltamos ao Texas e à colaboração com Willie Nelson (“Uncertain, TX”), temos instauração da paz mundial em um ato semelhante ao que Charli e Lorde fizeram em “Girl, so confusing” (a parceria com Miranda Lambert, outra gigante do country, em “Horses and Divorces”). Temos as canetadas de Kacey, a voz doce e a mente brilhante.
Por enquanto, a garota da capa do “Pageant Material” perdeu a majestade. O “Middle Of Nowhere” veio roubar meu coração e pegar seu troféu e sua coroa. De prata, obviamente. Ninguém destrona o “Golden Hour” tão fácil assim.
e falando nisso, vamos de:
meus lançamentos fav da semana
“Tudo Que Vem Depois” - Morgana 🥉
Tive um rápido vício em Olivia Dean em dezembro, o que me levou a uma vontade maluca de estar apaixonada mesmo sem a menor possibilidade ou desejo real disso acontecer. Desde então, tava tudo bem no lullycoração, mas aí Morgana lançou esse álbum e agora eu quero me apaixonar de novo. Essas mulheres vão me matar.
“Another Country” - Cindy 🥈
Todo sábado eu posto um vídeo revisitando algum CD da minha coleção. O último foi sobre a trilha sonora do filme Juno, meu favorito, sou obcecada, quem me conhece sabe. Coincidência ou sincronicidade, o “Another Country”, que me lembra as músicas do filme, foi lançado no dia anterior.
Eu tinha entendido o título como “outro país”, mas ouvindo a faixa “Killer Kid In The Camaro” também parece que é sobre outro tipo de música country. Ou seja, de certa forma, me lembra Kacey também.
“Middle Of Nowhere” - Kacey Musgraves 🥇
Não tem nem o que acrescentar depois do textão aí de cima.
outros lançamentos
gostei MUITO DE TODOS ESSES, só não foram top 3:
“Sunshine For Happiness”, álbum de Emma Louise;
“MAITREYA CORSO”, de Maya Hawke. Sim, a atriz mesmo;
“Johnny’s Dreamworld”, de Modern Woman;
& “N0rth4evr”, de North West. Sim, a criança de 12 anos.
dá pra ouvir os lançamentos enquanto lê, tá tudo aqui nessa playlist. tem também no youtube :)

